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Tecnologia contra o roubo de carga

O crescimento da indústria do roubo de cargas tornou o setor de rastreamento e monitoramento um dos mais competitivos do transporte rodoviário e levou as empresas a adotarem o sistema e preparar os motoristas para esta tecnologia.

Fatores como mudanças de legislação e avanços tecnológicos contribuíram para um novo cenário no setor de transporte rodoviário de cargas. O aumento no índice de roubo de carga no País, por exemplo, é um item que aguçou a necessidade das empresas em adotar medidas que garantissem mais segurança para o seu negócio. Entre 1999 e 2004, o Sindicato das Empresas de Transportadores de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp) registrou, somente no Estado de São Paulo, 14.384 roubos de carga, uma média de 2.398 mil/ano, e prejuízo de R$ 1.157.475,00, média de 193 milhões/ano. Em todo o País, as transportadoras registraram, em 2004, perdas que ultrapassaram R$ 600 milhões em mais de 10 mil ocorrências.

Os números cada vez mais crescentes fizeram com que as empresas de transporte adotassem medidas de prevenção. Em relação ao motorista de caminhão começou a exigir um cadastro que lhe garantisse idoneidade. Já para a segurança dos caminhões e cargas adotou o sistema de rastreamento e monitoramento e passou a oferecer treinamento para preparar os profissionais para a nova tecnologia.

“O grande índice de roubo de carga, principalmente de produtos de alto valor agregado, e o fato da empresa precisar ser cada vez mais competitiva no mercado, nos levaram a adotar o sistema de rastreamento, que é utilizado também com enfoque logístico, para melhorar o acesso as informações para o cliente”, afirma Rodrigo Clausen, gerente de operações de transferência da Expresso Araçatuba. A empresa utiliza o sistema há nove anos e aponta como vantagens a prevenção de roubos e acidentes. Além de ser eficiente para o controle da movimentação de carga, principalmente em relação a precisão e informação em tempo real. “A vantagem do uso operacional do rastreador compensa o custo. Mas do ponto de vista custo e receita a empresa não consegue absorver este valor, principalmente por conta da pressão do mercado”.

Para Clausen, a adaptação dos motoristas ao sistema é tranqüila. “Alguns autônomos já possuem o rastreador no caminhão e outros foram colocados pelo próprio Araçatuba. Estes profissionais recebem os mesmos treinamentos e procedimentos de geren-ciamento de risco que os nossos motoristas”, explica.

Na Júlio Simões, os avanços tecnológicos foram os responsáveis pelos constantes treinamentos que a empresa faz com os motoristas para garantir a eficiência plena das atividades. “Adotamos o rastreamento há cinco anos para garantir mais segurança no negócio. E, esse novo conceito trouxe benefícios diretos para a empresa e aos clientes, uma vez que a partir desse processo de localização e comunicação, foi possível informar aos motoristas a respeito das condições das estradas e de eventuais alterações de rota”, afirma Daniel Feitosa, supervisor de rastreamento da empresa.

Para a Júlio Simões, apesar do custo elevado, com o tempo este valor é diluído pelos benefícios oferecidos. “Trata-se, portanto, de um negócio interessante para as transportadoras”, completa.

Em menos de 10 anos o segmento de rastreamento se tornou um dos mais competitivos do País, afinal, o sistema é considerado um importante aliado das empresas e dos motoristas autônomos contra o roubo de carga, além de ser um dos itens avaliados pelas empresas de seguro na hora de reduzir o valor das apólices. Hoje, o mercado oferece um leque de produtos para enfrentar esta competitivi-dade. A comunicação híbrida – uma combinação do sistema satelital e celular, que proporciona monito-ramento contínuo -, sistemas GSM, TDMA, CDMA ou por satélite de alta órbita, é uma das tecnologias disponíveis. Apesar de cada empresa oferecer sistemas diferentes o objetivo é único: disponibilizar soluções que garantam segurança à carga e ao motorista e ganhos reais em toda operação logística.

Fonte: Daniela Giopato – Revista o Carreteiro